Psicologia e identidade profissional: uma breve reflexão

7 julho 2020

Imagem: Arquivo Pessoal da Autora

 

Olá pessoal! Como vão vocês?

Por: Lívia de Paula

Hoje a prosa por aqui é sobre identidade profissional. A ideia de escrever sobre isso veio das reflexões que tenho feito nos últimos tempos a esse respeito, que me transformaram, me mobilizaram e me fizeram, inclusive, criar o CENP APOIA, um projeto de suporte para profissionais psi que queiram apresentar seu trabalho de forma ética, embasada e alinhada com sua visão sobre a nossa profissão. Ainda pretendo apresentar este projeto por aqui, mas para hoje a conversa não será sobre ele. Quero mesmo falar sobre a nossa identidade profissional.

Confesso a vocês que eu não pensava muito sobre isso. Tenho concluído que eu não vi, não enxerguei a trajetória de construção da minha identidade profissional. Só há alguns anos atrás, eu me dei conta de que eu tinha uma identidade muito nítida dentro da profissão que escolhi. Eu tinha escolhido um caminho, mesmo sem perceber tão nitidamente enquanto o escolhia. Talvez um dos motivos de eu não perceber essa trajetória esteja relacionado a invisibilidade deste assunto na minha formação. Pode ser que tenha até acontecido, mas não me lembro de nenhum momento em que o tema identidade profissional tenha sido tratado diretamente.

Indiretamente creio que muito se fala sobre isso. Somos apresentadas (os) a inúmeras teorias, diversas possibilidades de atuação dentro da Psicologia, diversas visões dos fenômenos psíquicos e das relações humanas. Cada professora (or): um modo de enxergar a ciência psicólogica e a profissão de psicóloga (o). Muitas orientações: “faça terapia”, “busque supervisão”. Muito pertinentes, aliás. Aprofundando nos meus questionamentos sobre identidade profissional, algo que me veio muito forte foi a importância da psicoterapia pessoal nesta construção.

Entretanto, penso que estas orientações não trazem com a nitidez necessária a essencialidade que é buscar conhecer quem eu quero ser/estou sendo como profissional. Estou cada dia mais provocada por essa ideia, pela sensação de que minha realização na profissão passa pela afirmação, cada dia mais visível para mim, do caminho que escolhi e tracei no meu exercício profissional. A Psicologia é muito ampla. São muitas as possibilidades. Não nos é possível escolher todos os caminhos. Eles, muitas vezes, são, inclusive, contraditórios entre si. Ser psicóloga (o) exige posicionamento. Dentro das opções que eu tenho, que caminho quero seguir? Qual será minha defesa enquanto profissional? Perguntas essenciais na construção de nossa identidade profissional.

E embora pareça, não vejo essa prosa como um papo só para recém-formados. Vejo por aí muita gente com anos de trajetória que ainda não fez esta reflexão. Como eu disse, entendo que ela é primordial para o exercício de uma profissão alinhada com quem somos, com o que defendemos e acreditamos. Primordial também para o desempenho de um trabalho ético e embasado nos conhecimentos científicos.

Sem debruçarmo-nos sobre ela, corremos o risco de sermos apenas “reprodutoras (es)”, “tarefeiras (os)”, “executoras (es)”. Corremos o risco de sermos a (o) profissional control-c, control-v. Que copia alguém, que não se inventa e se reinventa no pensar sobre o seu fazer. As redes sociais nos contam que muitas (os) profissionais assim estão por aí…Não nos esqueçamos que estamos falando de ciência e de profissão. É isto que a Psicologia é. Sem questionamento não se faz ciência. Sem a ciência psicológica, a profissão perde o seu fundamento.

É nosso dever nos questionarmos sobre o nosso percurso de formação. Nos questionarmos sobre as nossas escolhas. Sobre a nossa identidade. A formação não acaba quando termina. Dura a vida toda. Estarmos abertas (os) a nos deixar provocar por nossas angústias, por aquilo que eu ainda não sei. Por aquilo que eu preciso descobrir. Este é um compromisso ético que precisamos assumir. Com a gente mesmo e com nossa escolha profissional.

Eu quero continuar essa prosa sobre identidade profissional. E você, o que pensa sobre isso? Quais são as suas curiosidades e inquietações? Me conta aqui nos comentários do blog. Ou lá nas redes sociais do Cá entre nós, Psi! Te espero para nossa prosa com cafezin virtual!

 

PS: Na foto, eu na cerimônia da minha colação de grau lá em 2003, sem sequer imaginar o quão importante era me questionar sobre a construção da minha identidade profissional. Ingênua, ela…rs

 

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